terça-feira, 28 de setembro de 2010

Pra Falar de Che

Mais do que um paradoxo na história, Che é um paradoxo na mentalidade coletiva. Como pode ser possível que duas pessoas, dispondo das mesmas fontes, possam seguir opiniões tão opostas: uma tão calorosamente romântica, e outra tão veementemente discordante dos métodos usados na guerrilha cubana e em outras arenas latinas. Talvez a grande pergunta não seja esta, mas sim, o que nos faz perceber o mundo de forma tão irregular? A escolha da coluna da direita ou da esquerda é, acima de tudo, uma escolha filosófica, tanto quanto a questão que se levanta. E você? Direita ou esquerda?






















Fonte: Revista Superinteressante

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

II Encontro Piauiense de História Cultural

O Encontro Piauiense de História Cultural apresenta na sua segunda edição a temática "História dos Excluídos". O evento acontecerá na Universidade Estadual do Piauí - UESPI - no Campus de Parnaíba. A proposta do encontro é mostrar um outro olhar sobre a história, a partir de análises fundamentais para a desconstrução das mazelas estabelecidas pela historiografia tradicional. Enquanto a história convencional atribui legitimidade aos fatos históricos, engrandece nomes e restringe lutas e revoluções a 'grandes heróis'; a história dos excluídos é uma história vista de baixo, feita por 'sujeitos' - as mulheres, os negros, os subliteratos, os índios, os hippies, os prisioneiros, os punks, os operários, as prostitutas, os ladrões, os drogados, os bêbados - que são personagens históricos, porém, à margem da sociedade.
Nomes como Prof. Dr. João Batista do Vale Júnior (UESPI - Teresina); Prof. Dr. Edwar de Alencar Castelo Branco (UFPI - Teresina); Prof. Dr. Josenildo de Jesus Pereira (UFMA) e Prof. Dr. Durval Muniz de Albuquerque Júnior (UFRN) prestigiarão o evento que acontecerá de 03 a 06 de novembro de 2010.

Mais informações no blog do evento: EPIHCU

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Sobre o porquê de ser

O livro “Bandidos” de Eric Hobsbawm nos remete a um tema polêmico e contemporâneo. O livro aborda histórias, sempre no universo camponês e em tempos já remotos, de homens que viviam completamente fora do que as autoridades de suas respectivas regiões consideravam legal. Porém, há nesses indivíduos um aspecto peculiar: Eram homens profundamente admirados onde viviam como espécies de Robin Hoods parciais, e despindo-nos de maiores romantismos, nunca integrais. Eram homens que enfrentavam autoridades locais de maneira surpreendentemente corajosa, aderindo ao banditismo, a mais completa marginalidade, em detrimento da submissão e em busca de liberdade. O autor os denomina como bandidos sociais.

Apesar de serem minoria, esses bandidos se tornaram símbolos de resistência contra toda a opressão imposta aos camponeses pobres por parte de seus governantes. Tornaram-se verdadeiros heróis, paladinos da justiça em tempos tão difíceis, não só por serem símbolos, mas por ajudarem, com o resultado de seus crimes, diretamente nas questões materiais dos lugares a que pertenciam. A prova dessa admiração está nas freqüentes homenagens contidas principalmente na cultura popular.

Acredito que a analogia com os “nossos” bandidos é valida. Hobsbawm argumenta que a maioria devastadora desses homens entrava no banditismo por falta de trabalho, ou por alguma perseguição de que eram vítimas (perseguições promovidas por autoridades, geralmente por problemas com terra). E isso era muito comum em vilarejos isolados e pobres. O banditismo se tornava opção óbvia para possuir bens, respeito, poder e principalmente, liberdade, que se traduzia em ser senhor da própria vida. E essas motivações não parecem tão distantes das atuais.

Podemos afirmar, tranqüilamente, que o tempo em que vivemos como todos os outros tempos, de maneira alguma podem ser chamados de justo, de honesto. O Brasil é um dos países campeões em má distribuição de renda, sofrendo a conseqüência natural desse processo: uma organização social extremamente excludente. Exclui crianças das escolas de qualidade, de famílias com um mínimo de estrutura financeira e psicológica, de uma oportunidade de um emprego digno e de uma vida tranqüila, exclui a oportunidade de escolher seu próprio caminho. O sistema exclui do que o próprio sistema exige. E como já sabemos, assim como entre os camponeses de Hobsbawm, a rebeldia está entre nós.

Gostaria de ser menos opinativo, mas não me contive. Mesmo assim colocarei o debate, que é bastante complexo. Vocês acham que os bandidos do nosso tempo são vítimas sociais, ou realmente merecem ser chamados de todos os termos pejorativos que já conhecemos? Existem muitas opiniões e espero debater com todas. Para tentar ser menos tendencioso, quero lembrar da válida citação de Jean Paul Sartre, um grande filósofo francês, que sempre ganha vida na minha turma através do professor Maurício: “Não importa o que fizeram com você, mas o que você faz com o que fizeram com você”. Aguardo ansiosamente por respostas.

Diego de Carvalho Parente

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